Alergias alimentares: erros a evitar

As alergias alimentares têm aumentado nos países ocidentais. Na Espanha, por exemplo, dobrou em dez anos: entre 1992 e 2005 atingiram 3,6 a 6,05%, segundo dados da Sociedade Catalã de Alergia e Imunologia Clínica. Em adultos, as alergias mais comuns são os frutos secos, fruta e frutos do mar; nas crianças, o leite, o ovo e o peixe. Médicos generalistas, pediatras e alergistas, tendem a trabalhar em conjunto para determinar o diagnóstico e definir estratégias.


Cuidado com os testes que encontramos na Internet


Alguns sites vendem testes de alergias alimentares por preços que rondam os 100 euros. Costumam incluir formulários e a análise de uma amostra de sangue que o usuário deve enviar. Com todas as informações na mão, o laboratório estabelece um perfil personalizado do cliente, acompanhado de dicas especiais dietéticos “adaptados” e um livro de receitas. Estes testes prometem detectar as alergias alimentares através da dosagem do índice de IgG (imunoglobulina G), um tipo de anticorpo de nosso sistema imunitário.


“Dado que todo o mundo tem índices de IgG específicos para determinados alimentos, estes testes não servem de muito”, avisa Denise-Anne Moneret-Vuatrin, do hospital CHU de Nancy, França. “A IgG é parte do nosso sistema de tolerância e serve para evitar manifestações relacionadas com as alergias alimentares”, acrescenta a especialista. De fato, apenas as dosagens de IgE, outro tipo de imunoglobulina, podem alertar de uma incompatibilidade do sistema imunitário”.


Erros a evitar: alergia ao leite de vaca


Uma vez que os alimentos problemáticos foram detectadas, a alimentação do paciente deve adaptar-se a sua alergia. “Mas o verdadeiro problema é que muitos pais, crendo que praticam o bem, não fazem mais do que piorar as coisas com comportamentos inadequados”, denuncia Moneret-Vautri, que a seguir enuncia os erros mais freqüentes quando se tenta substituir o leite de vaca:



  • A moda das sucos vegetais. Os pais compram suco vegetal para compensar a falta de leite vacina. “Também chamadas de leites vegetais, estas bebidas de castanha ou de qualquer outro alimento costumam ser pobres em lipídios, proteínas e cálcio, ou seja, tudo que traz o leite de vaca”, explica a alergóloga; e acrescenta que esta pobreza nutricional “pode acarretar problemas de crescimento”.

  • A moda do leite de soja. Não somente contém fitoestrógenos, que podem afetar a puberdade, mas acima de tudo favorece as alergias cruzadas. “Se verificou que crianças que bebem leite de soja não fazem mais alérgicos ao amendoim”, detalha a médica.

  • O leite de cabra e de ovelha também favorecem as reacções cruzadas, perpetuando as alergias. “Além disso, este tipo de leites podem conter proteínas de vaca”, adverte Moneret-Vautrin. Com efeito, o leite de cabra e de ovelha são relativamente caras e, muitas vezes, fraudulentas, porque muitas contêm proteína de leite de vaca. Um estudo levado a cabo de Roménia mostrou que cerca de 60 por cento dos lotes de leite de cabra e ovelha estavam contaminados com proteínas do leite de vaca.

Lembre-se que os conselhos que dão-nos os amigos ou os que lemos nos fóruns nem sempre são bem sucedidos. Somente um médico pode fornecer recomendações dietéticas adaptadas e personalizadas.


Dieta de exclusão, sim, mas não para sempre


Com freqüência, o diagnóstico alimentar obriga a seguir uma dieta que exclua os alimentos que causam alergia. Mas as chamadas dietas de exclusão podem complicar a vida do alérgico e também a de sua família: a compra levará mais tempo, terá que ler e interpretar os rótulos dos alimentos, dos produtos a que haverá que recorrer costumam ser mais caros e o cumprimento da dieta pode transtornar situações sociais que envolvam comer fora.


No entanto, no caso de crianças pequenas, muitas famílias cometem o erro de seguir a dieta ao pé da letra durante anos e anos. “Na realidade, os regimes de exclusão devem durar vários anos, mas somente em certos períodos, de forma a promover a tolerância”, precisa a alergóloga. Muitas vezes, as alergias são atenuados de forma espontânea em torno da idade de 6 ou 7 anos. “Por isso, é importante introduzir o alimento em questão, pouco a pouco, em doses muito bem calculadas para não provocar reações indesejáveis. Chama-se A isso a imunoterapia oral”, acrescenta Moneret-Vautrin. O ovo e o leite, por exemplo, podem-se introduzir a partir dos 3 anos de idade. “Mas qualquer mudança, evidentemente, deve ser feito sempre sob supervisão médica”.


De maneira geral, quando se fala de alergias alimentares, não existem dietas globais, mas regimes individualizados, específicos para cada paciente. Por isso, é importante desoír os conselhos dos charlatães e ignorar os produtos que oferecem empresas sem escrúpulos. A opinião médica é a única que devemos ter em conta.


Y. Saïdj